Tuesday, January 31, 2006


Passa eira

Roda incessante
gira sem parar.

A roda passageira
do tempo me levou,
não há mais nada de
mim antes.

Eu me pareço
padeço de outro.

O anunciador timbre
de um portão aberto
me esconde
não espero a passagem
das visitas.

Uma cidade sem prédios
se fecha circular,
sombra interminável
de um caminho
desprovido de céu aberto.

Carrego e passo
antes que me marquem
a porta fechada
da saída.

Poltronas não descansam
cabeças que não pesam
o travesseiro.

Entro e passo
o amargor de uma porta escancarada
não compensa a estranheza
do caminho
definhado,
pontiagudo
final.

Gravura de Iberê Camargo

0 Comments:

Post a Comment

Subscribe to Post Comments [Atom]

<< Home