Dedos-Buracos
Minhas mãos trêmulas
não sustentam minha vida, vida.
Minhas mãos cheias de boca
não me resgataram
as duras penas
que foi ímpar
do meu sorriso.
Os buracos da minha mão
me corroem, tudo o que perdi
o que se encontrava na palma,
há um sopro de felicidade,
o tempo ventoso me arrancou.
A âncora dessa história sem fôlego,
não me revelou.
Eu não entrei em mim.
Eu 'as vezes nem fui eu.
Os burcacos no azuleijo
a mancha de café na parede
nada disso me respira
o motivo
de viver.
A luz que a vida quer dar
não gestei,
eu não escolhi ter vestido
os meus cadávers,
na rapidez que me arruinou
quando alçava vôo.
Os sofás,
as almofadas
nada disso me sopra a eternidade,
eu ainda restauro a minha fronte
no meu ego-sistema.


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