Monday, February 13, 2006

Dedos-Buracos

Minhas mãos trêmulas não sustentam minha vida, vida.

Minhas mãos cheias de boca
não me resgatam
as duras penas que foi o ímpar
trabalho desse sorriso
que me unge.

Os buracos da minha mão
me corroem.
Tudo o que perdi,
o que se encontrava na palma
há um sopro de felicidade,
o tempo ventoso me arrancou.

A âncora dessa história sem fôlego,
não me revelou.

Eu não entrei em mim.
Por muitas vezes nem fui eu.

Os burcacos no azuleijo,
a mancha de café na parede
nada disso me respira no vôo casual
de me ser, entre essas habituais
imperfeições dos amantes
da vida simples.

A luz que a vida quis dar
não gestei,
eu não escolhi ter vestido esses cadáveres
pesos em mim.
A rapidez do tempo me arruinou.

Os sofás, as almofadas,
a janela serena de sol,
nada disso me sopra a eternidade.


Ainda me escorando nos dias vividos
restauro a fronte
no meu ego-sistema.

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