Desvio
Desviaram o teu último passo.
Caso você queira voltar
é proibido.
A lei te deixou sem nada,
a lei não é fala.
O dedo apontado no teu nariz,
a água escorrida
no meio das tuas pernas
o nervosismo
a brasa
a cinza
e finalmente
o suspiro,
não te deram uma segunda chance.
O sol da primavera é escaldante
e ainda sim,
na ardência da tua pele
a água não te refrescou.
Tua concha de mão
não regou,
você procura um sim
você procura
dar a última volta
do sonho imediato.
A lei te proibiu de pensar
a lei não te deixou usar o fio-dental
a lei da vida, não te trouxe
a aspirina,
as gotas de essência
não funcionam sem a pele.
De nada adiantou o teu esforço
você teve artista,
que rezar
para pegar o desvio estreito
'a ter que pintar a cara
de ouro,
para que te sorrisem
uma nota
no jornal.


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