Indiara habita
um vilarejo
de macelas.
Os pés delicados
e a boca mastiga...
Indiara é uma castanha.
Pisoteia os colchões
que a remessa
de nuvens traz.
É algodão uma vez
a cada amanhecer.
Indiara encomenda às luas
florais, rendas, alfazemas...
O relágio desperta e Indiara
abre a janela:
sálvia!
Alcançando os passarinhos
com sua entrega.
Indiara é uma elfa.
Pede ao tempo que pare
para ela passar,
pede ainda um espaço
se alastra
se garça,
fecha sua asa sobre nós.
Lentamente
abre a boca
comprimindo o lábio rosa
e a testa branca,
Indiara pede...
Indiara pede...
Para trazer-lhe as mudas folhas
caídas no caminho.
Pede..
Para não arrancar nenhuma
só
as
caídas
Indiara sussura.

