
Passa eira
Roda incessante
gira sem parar.
A roda passageira
do tempo me levou,
não há mais nada de
mim antes.
Eu me pareço
padeço de outro.
O anunciador timbre
de um portão aberto
me esconde
não espero a passagem
das visitas.
Uma cidade sem prédios
se fecha circular,
sombra interminável
de um caminho
desprovido de céu aberto.
Carrego e passo
antes que me marquem
a porta fechada
da saída.
Poltronas não descansam
cabeças que não pesam
o travesseiro.
Entro e passo
o amargor de uma porta escancarada
não compensa a estranheza
do caminho
definhado,
pontiagudo
final.
Gravura de Iberê Camargo



